segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

sábado, 26 de março de 2011



Sabe, meus "velhos"
quando a juventude se vai
parece que o corpo se transforma,
que os sonhos
ficam mais distantes,
parece que os passos
ficam mais lentos,
não parece, tudo muda.
Sabe, meus "velhos"
a memória nos trai,
os ideais se escasseiam,
o corpo se arrasta.
Sabe, meus "velhos"
quando dialogamos
lhes vejo como um espelho
refletindo o meu rosto
amanhã.
Sabe, meus "velhos"
a saudade mata  a gente,
as dores aparecem,
a resistência nos abandona.
Sabe, meus "velhos"
depois de alguns  bons anos
nós deixamos de ser metades
e nos tornamos inteiros,
o nome disso
é experiência de vida.
Sabe, meus "velhos"
vamos deletar
esse papo sem futuro
e vamos fazer que nem o Zeca:
" vamos deixar
a vida nos levar..."
Eu ia me esquecendo:
Obrigado
pelo momento de amor do passado
que resultou
em eu estar aqui hoje.
Saúde e paz.



Quando a saudade chega
eu fecho os olhos,
me afasto,
escrevo um poema.
Pessoas me procuram
mas não me confortam,
deixo-me arrastar
pelas nobres lembranças.
Viver é uma arte
que sempre está por um triz,
sou um ser incontido,
a maioria não consegue
me ter por inteiro,
só sacio a loucura.
Canto pelos cantos,
tento me conter
mas sou escravo das memórias,
sou o ontem
que vive no presente.
O tempo pode passar
mas tudo que amei
ficará em mim.
O que seria das pessoas
se elas nada tivessem
para um dia recordar?
Que sentido
a vida teria?
Quando a saudade chega
me rendo,
me recolho, adormeço,
com a esperança imortal
que no dia seguinte
eu consiga recuperar
o que hoje perdi.




Me deixe
sonhar novos sonhos
trilhar novos caminhos
vivenciar o que me resta.
Me deixe
órfão de sentimentos
inocente, puro,
com a consciência tranquila
Me deixe
andar na contramão
rir sem vontade
viver sem cobranças.
Me deixe
carregar a minha cruz
chorar com os inválidos
abraçar os esquecidos.
Me deixe
seduzir a solidão
aceitar o inexplicável
amar sem hora marcada.
Me deixe ir...
Se eu não voltar
é porque foi tudo em vão.



Passo o meu tempo
revirando-me por dentro,
tentando encontrar
o que mexe comigo,
às vezes sou brilho
em outras vezes
nublado, frio.
O sentimento
fala mais alto em mim,
por centenas de vezes
descarto a razão.
Me encontro
quando queria me perder,
dou "até-logo"
quando queria dizer "adeus".
Sou um ser comum,
normal, estranho,
como os seres ditos humanos.
Tá na cara
que a normalidade me odeia,
os convencionais, os castos,
não projeto planos
por não ser dono
de minha própria vida,
vivencio o instante,
amo, desamo,
parto, chego,
mas sempre encontrarão
entreaberta
a porta do meu coração.
É só entrar.

sexta-feira, 25 de março de 2011





Quando eu soube
que você havia partido
me recolhi, me enjaulei,
fiquei incomunicável.
O céu se fechou,
de propósito
começou a chover,
o dia ficou triste
e eu percebi
que ele sentia falta de você.
Briguei com a fatalidade,
xinguei o destino,
fiquei de mal com Deus
(Por alguns dias)
quando soube
que não lhe veria mais.
A saudade lateja,
corta, tortura,
deforma, sangra,
acaba com a gente.
Ah se eu não acreditasse
no reencontro!!!
Como acredito
me aguarde aí
aonde quer que esteja,
nós daremos continuidade
à tudo que ficou pela metade
quando curtimos aqui na Terra.




A dor dos apaixonados
a dor dos amantes
a dor dos flagelados
a dor dos revolucionários
a dor dos não-correspondidos
a dor de amor
a dor do corpo
a dor dos rejeitados
a dor dos iludidos
a dor dos humilhados
a dor da partida
a dor da ausência
a dor da saudade
a dor dos que ficam
a dor dos que sucumbem
a dor dos que perdem alguém
a dor dos aflitos
a dor dos sem-destino
a dor dos inconformados...
A dor é transitória,
breve, finita,
o tempo conforta.
Mas, a dor do Poeta,
essa não sara nunca.