segunda-feira, 29 de março de 2010



Quantos elogios precisa ouvir
para se sentir amada?
Quantos KMs precisa percorrer
para achar que foi longe?
Quantos amigos precisa conquistar
para se sentir querido?

Quantos anos precisa viver
para se sentir experiente?
Quantos amores precisa ter
para provar que é viril?
Quantos gritos precisa dar
para se sentir ouvido?

Quantos poemas precisa parir
para aceitar a inspiração?
Quantos abraços precisa ganhar
para não se sentir só?
Quantos projetos precisa traçar
para se sentir realizado?

Silencie.
Por alguns segundos.
O seu CORAÇÃO
lhe dará as respostas.


Não ouvi o eco
do meu próprio grito,
me encontrava só,
o mar imenso,
azul e silencioso,
me convidava
para me banhar
com a loira sereia.

Lá no fundo
do vasto mar
e de mim mesmo
buscava novas civilizações,
tudo ao meu redor
era destruição, dor,
ninguém por perto,
vida só no mar.

Será que o mundo
e todos foram EXTERMINADOS?
Por que então Deus
não me avisou?
caminhei pela areia
recolhendo destroços,
recordando
passagens da vida,
chorando de solidão.

Ufa!!!!!!
Que bom ter acordado!!!
Foi apenas um PESADELO.
Nunca mais como RABADA
antes de dormir.


AO CASAL AMIGOS PARA SEMPRE

(LÚ E TUNINHO)


Valeu
pelos momentos marcantes,
vividos, inesquecíveis,
intensos, de satisfação,
que vocês me proporcionam.

Valeu
pelos presentes,
a inesquecível blusa,
lembranças,
recordações, fotos,
que recebo de vocês.

Valeu
pelo carinho, amizade,
carisma, luz,
saber, discernimento,
amor, paz,
que vocês me enviam.

Valeu
por partilharem a minha vida,
por esfolarem meu interior,
por fazerem morada em mim,
por me emocionarem tanto,
por sermos, NÓS, plural.

Valeu
pelas palavras carinhosas,
pela consideração,
pela alegria em nós,
pela vida toda,
por serem os meus AMIGOS.

Valeu
por tudo
e por tudo que ainda
está por vir,
Sou dependente SENTIMENTAL
de toda essa família e não quero ir
para nenhuma clínica
de reabilitação de doidos.

Valeu
por serem em mim
minhas TATOOS,
pra sempre.

Amo mto vocês.

Obs necessária: Bjs em vcs, na Iana, Luaninha, Mila e Ilídio
por fazerem parte do meu
bem-viver.


Do fã Jorge Poeta.


Por alguns momentos
sou mansidão, em outros intenso.
Às vezes rio em público
em outros,
choro sem ninguém ver.
Às vezes me afirmo,
em outros me nego.
Às vezes
vou pra cima,
em outros momentos recuo.
Às vezes me apaixono,
em outros me calo.

Às vezes me dou vida,
em outros me esqueço.
Às vezes me revolto,
em outros compreendo.
Às vezes somo,
em outros momentos divido.
Às vezes escrevo,
em outros me recuso.
Às vezes abraço,
em outros me esquivo.

Às vezes celebro
em outros me encarcero.
Viu?
Sou assim...
Igualzinho a VOCÊ.


O que seria de mim
se não fosse a fé
que eu trago no peito???
O que seria de mim
se os meus sonhos
não se realizassem???
O que seria de mim
se eu não tivesse admiradores???
O que seria de mim se não acertasse
o caminho correto???
O que seria de mim
se eu não compreendesse
a juventude que me procura???
O que seria de mim
se eu não respeitasse
os ignorantes e estúpidos???
O que seria de mim
Se não colocasse no papel
o que diariamente sinto???
O que seria de mim
se eu não extravasasse
o que me sufoca???
O que seria de mim???
Seria mais um FANTOCHE
como muitos que convivo.


sábado, 27 de março de 2010


Figura... My Brother


Figura exótica, excêntrica,
pedra bruta,
lapidada a cada dia,
dualismo de vida,
o centro e o recanto.

Que encanta onde cruza,
onde dança e poetiza,
nos pastos, nos Andes,
no mato, nos bondes,
que chora às dores alheias,
que divide
seu ombro rabiscado, colorido,
com o pobre oprimido,
com o enforcado
e o encarcerado.

Seus gritos
ecoam em seus versos,
lambuzados
de verdades, de sangue,
de denúncias,
de lembranças.

Por décadas exploradas,
resolvidas.

Fala do social, do sem senso,
do sem sal,
do idiota, do imbecil,
fala do canto,
fala de mim,
de você, do CHE,
da criança
que nem veio ao mundo,
da meretriz
do nosso país.

Fala My Brother Audaz
fala de você,
da lágrima
que rolou do teu rosto
quando enxuguei e te abracei,
dos teus sonhos de criança,
das conquistas
que ainda tens a fazer.

Figura... My Brother... Quem é você?
Fala do teu amor,
da tua filha,
fala da tua dor,
tô aqui pra te ouvir,
te levantar, te sacudir,
te fazer não esquecer,
rebusca teu avesso
e divide com a tua amiga
o teu direito,
conta com a eloquente,
que o que ela
tem em mente,
é somente,
nada mais que somente,
TE VER FELIZ!!!!

(Ao meu amigo Jorge Poeta,
todo o meu carinho)

Lú Gomes
26/03/10

segunda-feira, 22 de março de 2010


Ficou pelo caminho
o poema pela metade,
a canção do Beto Guedes,
sonhos com um mundo melhor.

Ficou pelo caminho
o sentimento patriótico,
o desejo proibido,
abraços de despedida.

Ficou pelo caminho
belos dias de sol,
paisagens deslumbrantes,
boas companhias.

Ficou pelo caminho
meu longo cabelo,
as roupas coloridas,
fotos do acampamento.

Ficou pelo caminho
acenos,
gestos,
palavras.
Ficou pelo caminho
alegria e dor,
satisfação e tristeza,
amor e paz.
Ficou pelo caminho
eu em pedaços.

Eu quis te levar
para um lugar
bucólico, aprazível.
A cidade me esgana,
a fumaça me entope,
a correria me cansa.
Eu quis te levar
para um lugar
não civilizado, inabitado,
o desespero
me torna presa,
a selva de concreto
me soterra todo dia.
Eu queria um lugar
tranquilo, não violento.
Eu quis te levar
para um lugar
mágico, psicodélico,
onde seus habitantes
não tivessem só corpos,
silicones, bundas,
e sim conteúdo cerebral.
Eu quis te levar
para um LUGAR
onde o tempo NÃO PASSA.
Mas, não encontrei.

E vou por aí
conhecendo novas tribos
me unindo à juventude
espantando os desencantos.
E vou por aí
declamando meus poemas
ouvindo os velhos sábios
abraçando sonhos.

E vou por aí
cometendo insanidades
rindo dos hipócritas
vivendo intensamente.
E vou por aí
infernizando os políticos
cuspindo na cara da miséria
sacaneando a dor.

E vou por aí
fitando olhares
amando estranhas
cantando canções.
E vou por aí
aprontando muito
enquanto Deus
não se cansa de mim.


Ele veio do Norte
deixou mulher
filhos
amigos.
Ele veio
superlotado de sonhos
cheio de alegria
projetos.
Ele veio
sem nenhuma instrução
como aventureiro
sem contatos.
Ele veio
para o Rio
cidade grande
maravilhosa
traiçoeira
violenta.
Ele foi traído
pelos seus sonhos
nada conseguiu
a rua foi a sua morada.
se tornou pedinte.
Ele veio do Norte
e a sua situação
ficou pior ainda
porque hoje
a sua residência
é uma cela fétida
na Polinter do Rio de Janeiro.

Eu lembro
da jovem bonita
que conheci em Saquarema.
Eu lembro
que era domingo
e o céu estava azul.
Eu lembro
do poema insano
que escrevi para ela.
Eu lembro
dos seus longos
cabelos emaranhados
estilo hippie.
Eu lembro
da praia deserta
com a sua água fria.
Eu lembro
dos seus olhos verdes
do seu jeito cativante
da sua sabedoria.
Eu lembro
como se fosse hoje
mas não é.
Obrigado, Senhor
por fazer de mim
um BAÚ
de boas lembranças.
Isso me BASTA.


O sol
combina com caminhadas,
a lua
com a noite,
o riso com a piada.
O anjo
combina com o céu,
a poesia
com a inspiração,
a caneta
com o alvo papel.
A música
combina com a harmonia,
a loucura
com os poetas,
o amor
com o desejo ardente.
Uma pena eu e você
sermos água e óleo.

segunda-feira, 15 de março de 2010


Esquece a fatura vencida
das Casas Bahia.
Esquece a hora marcada
com a sua dentista.
Esquece o boletim
dos seus filhos.
Esquece a sua demissão.

Esquece o livro
lido pela metade.
Esquece a cerva
aberta na geladeira.
Esquece o dia chuvoso.
Esquece a sandália
que ontem arrebentou.

Esquece a manicure
que faltou ao serviço.
Esquece o "bolo"
que lhe dei um dia.
Esquece e vem.

Tolos
os que só existem
e não vivem.
Tolos
os que não se misturam
por status econômico.
Tolos
os racionais extremistas
que não sentem emoções.

Tolos
os fantoches sociais
que nunca
burlaram nenhuma lei.
Tolos
os literatas de gibis
que repugnam a realidade.
Tolos
os babacas carrancudos
que nunca dão risada.

Tolos
todos
e ás vezes NÓS.


Quando o saudosismo
bateu em minha porta.
Quando a recordação
bateu em minha porta.
Quando você
bateu em minha porta.
Quando o mundo
bateu em minha porta.
Quando o desejo
bateu em minha porta.
Quando a esperança
bateu em minha porta.
Quando a inspiração
bateu em minha porta.
Quando os jovens
bateram em minha porta.
Quando a insanidade
bateu em minha porta.
Eu só não a abri
porque tinha fugido de casa.


A inocência é violentada,
os velhos depositados
em fétidos asilos,
jovens morrendo
por projéteis "perdidos",
estadistas enriquecendo
com a desgraça do povo.

Reflexões me torturam,
mas a realidade me cobra,
às vezes
a tristeza me abraça,
ninguém testemunha,
me tranco no quarto,
me aproximo das reflexões
e as respostas ousam
permanecerem longe de mim.

Me conforto, silencio,
sou criatura e não Criador,
vou vivendo
como diz o brother, Nasi:
Feliz aniversário,
envelheço na cidade.

Deus criou a natureza;
o homem a destrói.
Deus criou o amor;
o homem trai.
Deus criou a harmonia;
o homem trava duelos.
Deus criou o paraíso;
o homem prefere o inferno.
Deus criou a mulher;
o homem a bigamia.
Deus criou o diálogo;
o homem a contenda.
Deus criou o trabalho;
o homem o cansaço.
Deus criou a alegria;
o homem o pranto.
Deus criou as gaivotas;
o homem o avião.
Deus criou tudo,
o homem como sempre
(não satisfeito)
cria coisas diariamente
mais do que
precisa para viver.


POEMA PARA ZILMA


Você é sentido correto
eu sou contramão,
vc é bálsamo
me acalma sem esforço,
vc é menina-mulher
cheia de sonhos,
projetos, esperanças.

Você me alegra
faz o pior dia
se tornar azul, ameno,
sou meio endoidecido
você com a sua normalidade
me acolhe, me equilibra,
você faz parte de mim,
ou melhor me expressando:
você é o meu todo.

Você é fonte
e eu um simples poeta
bebo dela
para continuar me inspirando,
você é amiga, ouvinte,
irmã, amante, mulher,
você é tudo
em um mundo que nada é.

Você é caminho longo
que não cansa o meu caminhar,
porque no final dele
encontrarei você,
te encontro no silêncio,
na frase solta,
no tempo nublado,
você está contida
em tudo que contemplo,
você é como um quebra-cabeça
que se encaixa em mim.

Lhe desejo vida longa,
sonhos realizados,
momentos de satisfação,
continua sendo
essa mulher que me surpreende,
valeu pelo carinho e amizade,
continua assim
simples, envergonhada às vezes,
porque foi assim
que você me cativou,
a amizade está sendo
muito proveitosa pra mim,
que bom
porque foi sem lhe procurar
que um dia lhe encontrei...

Bjs.

terça-feira, 2 de março de 2010



Esse poema foi inspirado
em uma matéria de jornal popular.


Ela não tinha
condições de se manter,
engravidou
para prender "seu homem",
ele se foi pra sempre
e ela
ficou pior do que estava.
Começou
a "meter o nariz",
vivia
embriagada pelas vielas,
esmolava pra comer
e para usar
a droga que a matava.

Sem perspectiva de vida
colou na "boca"
para sobreviver,
corria dos "homens"
e de sua responsabilidade.
Não teve
ninguém por perto
para lhe ajudar
na criação de seus filhos,
sozinha e desesperada
cometeu o maior crime
de toda a sua vida.
Enrolou seu filho
de 1 mês
em um saco de mercado,
saiu na noite
e o depositou
em uma fétida lixeira.

A polícia
passava na hora,
foi presa em flagrante,
jovem ainda
conheceu o "inferno",
dizia aos vizinhos
que a vida para ela
era como ela:
- Não valia nada.
Mas o seu filho
com certeza
teria melhor sorte.


Busco por aí
esperança
nos olhos das pessoas,
vejo rostos tristes,
marcados,
sigo a romaria
dos descontentes,
vou de bar em bar,
bebo algumas doses
para aliviar a tensão.

Escrevo
um poema na Adega,
uma pequenina menina
me contempla
sentada à beira da calçada,
compro a sua bananada,
ela me agradece com um sorriso,
sai toda saltitante,
lhe fiz feliz
por alguns momentos.

Volto para casa,
trago na memória
solidão e tristeza,
deixo pra trás
a minha revolta,
tento entender
o sistema social,
seus malefícios e dirigentes,
tentarei sonhar
com um país mais justo
mesmo sabendo
que é quase impossível
quando se vive em uma
REPÚBLICA DE BANANAS.

Poema escrito em 1988.



Quando ela se foi
o tempo ficou nublado,
não havia crianças
brincando na rua,
o silêncio era medonho,
inquebrável.
A janela do seu quarto
estava aberta,
o vento balançava a cortina
como se prestasse
uma homenagem a ela,
ela amava dançar.

O vaso de plantas
permaneceu no parapeito,
éramos confidentes,
nos entendíamos,
trocávamos textos,
ela era
sinônimo de sabedoria.
A presença dela
é forte em mim,
não sei
se Deus me ensinará
a conviver com a sua ausência,
tudo ficou desbotado,
sem graça,
vazio, incompleto.

Ouço Guns & Roses
a sua banda preferida,
esse mundo
era atrasado pra ela,
os estadistas a cansaram,
a fome
que mata na África,
ela sofria
nesse universo desembestado.

Eu queria ter dito:
"- Até breve, amiga."
Mas a overdose
não me permitiu.

Poema escrito em 1990.






Escrevo
para passar a hora
para espantar a revolta
o frio
a tristeza.

Escrevo
para libertar meus fantasmas
para presentear alguém
para enganar a dor.

Escrevo
para os oprimidos
para os marginalizados
para os carrascos do povo.

Escrevo
para os desaparecidos
para os insanos
para os sobreviventes da ditadura.

Escrevo
para prestar contas
para os inconformados
para os
que não temeram a luta.

Escrevo
para os sábios e incultos
para meretrizes e otários
para idealistas e condicionados.

Escrever
é o que ainda me resta
enquanto não sou escalado
para ser
alimento para os vermes.

segunda-feira, 1 de março de 2010



Inconscientes
os que fuzilam
e depois
perguntam quem era.

Inconscientes
os que governam
para seu próprio
bem-estar.

Os que decretam
a falta de oportunidade.

Inconscientes
os industriários da fome
os que fazem
o povo gemer
os que aprisionam
a liberdade de expressão.

Inconscientes
os que
abandonam seus velhos
os que
amordaçam nossas bocas
os que amaldiçoam
a luta pela liberdade.

Inconscientes
todos que por medo
nada fazem
para reverter a situação.



Dói muito, brother
saber
que não sonha mais,
que o desespero
lhe fez presa,
que abomina a esperança.

Tento daqui sentir
o que possa
estar sentindo,
mas, não consigo.

Você não quer
receber visita de ninguém,
se rebela
contra tudo e todos,
vive falando aos 4 cantos
que dará cabo
de sua vida.

Como eu queria, brother
que você reagisse,
que lutasse
como um dia lutamos,
que continuasse escrevendo
os textos maravilhosos
que escrevia.

Dói muito, brother
saber que
a cada dia
que se vai
você dá a vitória

ao maldito VÍRUS.


Poema escrito em 1982.

Poema escrito em 1998.
E por lá ia ele
pregando
a igualdade social,
amaldiçoando a burguesia,
falando de fraternidade,
paz, solidariedade, amor.
E por lá ia ele
declamando seus poemas revolucionários,
dando "dois,",
rindo dos fantoches,
sonhando novos sonhos,
conclamando
os remanescentes hippies.
E por lá ia ele
cheio de esperança e fé,
transbordando inteligência,
sendo ouvido por muitos,
clamando
pela consciência juvenil.
E por lá ia ele
por uma ladeira escura
e a fatalidade
o pega de surpreza,
em uma troca-de-tiros
um projétil perdido
acerta em cheio o seu coração.

Eu sou
a construção sólida;
você
a água
que abala minhas estruturas.
Eu sou
sonhos noturnos;
você
realidade diária.
Eu sou
a contramão;
você
sentido obrigatório.
Eu sou
o botão
que luta pra renascer;
você
jardim imenso.
Eu sou FRAGMENTOS;
com a esperança
de ser inteiro
e assim quem sabe um dia
nos transformar em NÓS.