Quando a saudade chega
eu fecho os olhos,
me afasto,
escrevo um poema.
Pessoas me procuram
mas não me confortam,
deixo-me arrastar
pelas nobres lembranças.
Viver é uma arte
que sempre está por um triz,
sou um ser incontido,
a maioria não consegue
me ter por inteiro,
só sacio a loucura.
Canto pelos cantos,
tento me conter
mas sou escravo das memórias,
sou o ontem
que vive no presente.
O tempo pode passar
mas tudo que amei
ficará em mim.
O que seria das pessoas
se elas nada tivessem
para um dia recordar?
Que sentido
a vida teria?
Quando a saudade chega
me rendo,
me recolho, adormeço,
com a esperança imortal
que no dia seguinte
eu consiga recuperar
o que hoje perdi.

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