sábado, 27 de fevereiro de 2010


Poema escrito em 1997.


Eu ouvi você
balbuciar o meu nome,
em solavancos a sua cabeça
ameaçava explodir
pelas dores do acidente,
seu rosto irreconhecível
jamais abandonou
os meus pensamentos.

Naquele instante
desterrei minha vontade
de continuar existindo.

Eu ouvi a sua voz
dizer que me amava
e logo depois
seu irremediável silêncio.

A morte
não me deu tempo
de dizer
que eu também lhe amava.

A partir daí
chorei
sobre o seu corpo morto
e corri enlouquecido
pelo corredor
daquele frio hospital
pedindo
o abraço da conformação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário