
Poema escrito em 1997.
Eu ouvi você
balbuciar o meu nome,
em solavancos a sua cabeça
ameaçava explodir
pelas dores do acidente,
seu rosto irreconhecível
jamais abandonou
os meus pensamentos.
Naquele instante
desterrei minha vontade
de continuar existindo.
Eu ouvi a sua voz
dizer que me amava
e logo depois
seu irremediável silêncio.
A morte
não me deu tempo
de dizer
que eu também lhe amava.
A partir daí
chorei
sobre o seu corpo morto
e corri enlouquecido
pelo corredor
daquele frio hospital
pedindo
o abraço da conformação.
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